O governador foi ao STF para tentar reverter a questão, considerada inconstitucional / Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Arquivo / SECOM
Por qual razão digo que Santa Catarina vem sendo penalizada com a decisão da quotização da pesca da tainha? Primeiro, por ser o único estado em todo o território nacional a sofrer com a medida, tida como inconstitucional. Num segundo ponto, embora pouco explicitado, a ligação com o campo político. O Governo Federal não morre de amores por Santa Catarina, pela simples razão já conhecida. O Estado não alinha com as pautas da esquerda. A questão é vista justamente nas eleições a partir dos índices das urnas. Portanto, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26, que limita a captura do peixe pelos pescadores catarinenses a 1.100 toneladas, tem caráter discriminatório e redondamente prejudicial aos pescadores artesanais do Estado. Diante disse, fica cada vez mais difícil as lideranças federais ligadas ao governo, alcançarem o respeito do povo catarinense. O pior de tudo, é de que a questão da pesca é apenas um dos fatores, pois, o distanciamento federal é sentido em outros setores, especialmente, na infraestrutura rodoviária.
No Supremo
O Governo do Estado, diga-se o governador Jorginho Mello (PL), ao lado de outras lideranças catarinenses em Brasília, caso dos senadores Esperidião Amin e Jorge Seif, esteve na reunião com o ministro Gilmar Mendes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), exatamente para tratar da ação que contesta as cotas de pesca da tainha impostas pelo governo federal. O assunto já foi debatido exaustivamente no Ministério da Pesca, sem resultado prático. E, se a reversão não ocorrer, fica explicitada claramente a medida como sendo uma imposição política, de clara retaliação.