3 de abril de 2025
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Saúde

Autismo tem causa? Brasil é o mais interessado em entender o TEA

Por Luiza Lemos em Band.com.br

Dia Mundial da Conscientização do Autismo busca promover conhecimento e respeito sobre o transtorno

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge quase 6 milhões de brasileiros, segundo estimativa do relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. O órgão aponta que 1 em cada 36 pessoas é diagnosticada com autismo em todo o mundo.

Os quase 6 milhões de brasileiros com TEA são apenas uma estimativa, já que o Brasil ainda não tem dados atualizados sobre quantas têm o transtorno. Apesar disso, o interesse pelo assunto vem crescendo nos últimos anos. Segundo o levantamento da Sala Digital Band Google, o interesse de buscas no Brasil por autismo e TEA aumentou 130% nos últimos cinco anos.

 

O país também é o que teve maior interesse pelo transtorno no último ano, à frente de países como o Reino Unido, Chile e Irlanda. Uma das razões que podem explicar esse aumento nas pesquisas e até em diagnósticos, seria a conscientização sobre o transtorno.

É o que diz a neuropsicóloga Mariangela Seixas, que explica o porquê muitos adultos estão sendo diagnosticados tardiamente. “Muita gente está sendo diagnosticada de forma tardia porque tem níveis e, muitas vezes, os sintomas vão passando como características e, na realidade, é o autismo que não foi percebido”, pontua.

Normalmente, o autismo começa a dar sinais durante o desenvolvimento da infância. “Não é uma deficiência por falta de algo ou alteração genética, é um transtorno de desenvolvimento global”, pontua a neuropsicóloga.

Autismo é deficiência?

Legalmente, sim. O Brasil tem uma legislação específica para garantir direitos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A Lei Berenice Piana, sancionada em 2012, dá o direito ao diagnóstico precoce, tratamento e terapia pelo SUS, acesso à educação, proteção social e ao trabalho, aos serviços multiprofissionais de saúde e a criação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Mas, segundo a neuropsicóloga Mariangela Seixas, o transtorno não é uma deficiência. A legislação serve apenas para garantir direitos. “Devido ao volume e necessidade de tratamento, é considerada uma deficiência para fins legais. A deficiência pode aparecer em uma determinada situação, diferente do autismo, que ocorre no começo do desenvolvimento”, pontua.

Mariangela cita que a Lei Berenice Piana entende que o autismo traz limitações. “Assim, quem tem TEA consegue ter um peso legal maior para garantir direitos”, afirma.

Autismo é genético?

Estudos indicam que a genética pode ser fator para o desenvolvimento do autismo, mas isso ainda é incerto. Uma pesquisa da USP de 2023 aponta que o fator genético pode ser um deles, mas ele não é o único. Fatores ambientais, psicossociais e até o luto podem aumentar a possibilidade de desenvolvimento do TEA nos filhos.

“O que se coloca é relacionado às diferenças culturais, que facilitam o diagnóstico. Há questões que prevalecem em certos casos, como a maioria das pessoas com TEA serem homens e em gêmeos, mas é apenas uma constatação de dados”, diz Mariangela.

Foto: Banco de imagens

Como o autismo é diagnosticado?

O TEA não tem um exame específico. Para o diagnóstico, é preciso uma avaliação das habilidades de comunicação e na troca social. “Hoje a principal ferramenta para diagnosticar o autismo é a avaliação neuropsicológica, porque ela levanta padrões e observações, de forma detalhada”, aponta Mariangela.

Na avaliação, há testes cognitivos, que mostram as áreas menos desenvolvidas pela pessoa, além de comportamentos repetitivos, rigidez cognitiva e seletividades. “A análise é detalhada, vê se há comprometimento intelectual ou não, que beneficia o tratamento no futuro”, diz.

Quais os sinais de autismo em crianças? E em adultos?

Os primeiros sinais de que uma criança tem TEA aparecem entre 1 e 3 anos, quando a interação social aumenta. “É mais claro entre os dois e três anos, isso quando falamos em crianças com maior necessidade de suporte”, diz a neuropsicóloga.

Nas crianças, é possível perceber déficits de comportamento, dificuldade de lidar com mudanças de rotina, hiperfocos, hipersensibilidade, rigidez comportamental e dificuldade de troca social.

Já em adultos, Mariangela aponta que em diversos casos são nível de suporte leve. “São sintomas mais sutis e, muitas vezes, por questões culturais, familiares, foi entendido como característica. Tendo clareza e amadurecendo, o adulto percebe certas dificuldades e vai querer entender o porquê que aquilo não são apenas características”, diz.

A neuropsicóloga aponta que há dificuldades de comunicação e interação social em adultos, com traços de ansiedade ou restrições. “Os comportamentos repetitivos e restritivos também estão presentes, além de interesses específicos e outras questões que são as mesmas das crianças, mas contornadas apesar das dificuldades”, afirma.

Autismo tem tratamento?

Sim, mas o transtorno não tem cura. O tratamento visa dar uma melhor qualidade de vida para quem convive com o autismo. A terapia cognitivo-comportamental, ocupacional e com integração sensorial podem melhorar a vida de quem tem o transtorno.

“O tratamento é multidisciplinar, com assistência médica, psicológica, fonoaudióloga, pedagógica e física, por envolver muitas áreas de restrição, a depender do nível de suporte que aquela pessoa necessita”, explica Mariangela.

           

             

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